quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Marcas ao mundo

Admiro quem se propõe a fazer uma tatuagem. Levar milhares de furos para que uma determinada quantidade de tintas consiga fixar-se na pele é deveras rigoroso.

Mas acho interessante o fato de termos nossas marcas e nossos traços em corpos. É uma forma interessante de comunicação com o outro. Talvez uma necessidade de se mostrar? Quem sabe. Com certeza, casos de tatuagens de proporções corporais é um chamado gigantesco à atenção.

Não julgo cá o ato de mostragem ou não. Cada um faz o que bem quer ou o que mais necessitar.

Porém, nos últimos tempos, tenho percebido um aumento siginificativo nos carros, quanto aqueles adesivos automotivos em que as pessoas colocam figuras representanto o número de pessoas e animais na casa. É um tanto quanto atrativo, pois nos dá a ideia de um possível compatilhamento de felicidade entre os familiares em si.

E isso já acontecia há um certo tempo quando falávamos dos adesivos "bebê a Bordo". Um tanto quanto chamativo quanto qualquer outro. Falamos por meio dos nossos carros: "tem um bebê aqui. Ele tem tal nome."
Podemos até ser felizes por fazer isso, mostrar ao mundo qual é uma das maiores alegrias da vida - a família. Mas será que todas as pessoas entendem o recado como a gente? Será que tem alguém que possa se aproveitar disso?

Qual a diferença que há em uma tatuagem de carro e uma do corpo? Temos semelhanças.

A do corpo é permanente e nenhum método de retirada é 100% eficaz. A do carro pode ser retirada com uma pequena espátula. Mas ambas são mostradas ao mundo, em algum momento.

Sei que a tatuagem pode ser coberta pela roupa. E que nem todas podem ser cobertas, de tão grandes.

Tatuar o nome do próprio filho no corpo, tem até significado de perpetuação do indivíduo em si. E no carro? "Fulano no carro" tem sentido de perpetuação? Ficamos sabendo do nomes dos outros sem que seja de fato necessário. Precisamos verificar o que estamos mostrando ao mundo. E para quem.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nuvens

Lembro-me que, quando eu estava no ensino fundamental, minha professora de história em um momento disse que a História é como as nuvens. Você olha pra uma nuvem e acha que é uma coisa. Outra pessoa pode olhar e achar que é outra coisa. Tudo dependeria de quem vê.

Não consigo me lembrar qual foi a causa pela qual ela me disse isso. Mas a situação das nuvens me intrigou.

Parar para olhar em uma nuvem é algo extremamente terapêutico. Elas passam lentas e tranquilas, e modificam-se conforme a brisa ou ventania. E realmente seus formatos nos intrigam. Trazem desafios mentais-visuais para desvendarmos enigmas naturais, que se desmancham com o tempo.

E também ouvir o que o outro tem a dizer daquela nuvem é algo intrigante. É interessante a troca de informações que obtemos quando estamos a observar uma lenta e distinta nuvem.

Primeiro falamos o que achamos o que ela pode representar. Depois ( se necessário for) tentamos provar para a outra pessoa quais são as formas que a nuvem tem que comprovam o que enxergamos. Quando percebemos que a nuvem não é a mesma coisa para outra pessoa, ficamos intrigados.

Por que ficamos intrigados? Quem disse que tudo tem que ser igual para todo mundo? Uma simples nuvem, que se desmancha no ar, tem que ser a mesma para todo mundo? Por que queremos que a nuvem seja para todo mundo do jeito que ela é para nós?

Acabamos nos preocupando com nuvens em nossas vidas. Em muitas vezes, em defender ideias passageiras e que nada são construtivas, e provar por a+b que aquilo é do jeito que achamos.

Minha professora estava correta.

Que bom seria se ouvíssemos a outra pessoa e aceitássemos que o formato daquela nuvem pode ser aquilo que o outro disse. Mesmo que não vejamos o que o outro vê, o que nos custa acreditarmos que todos podem ver o que não vemos?  As nuvens, como muitas opiniões e teorias, aceitas ou não, podem se desmanchar no ar. E continuamos a viver, independente dos formatos das nuvens.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tuvalus

Muitas pessoas acreditam que nós seres humanos estejamos totalmente distantes da natureza. Erra bruscamente ao imaginar que as cidades não fazem parte disto tudo. Aliás, vivemos incessantes reações da natureza.

Exemplo disso é uma região em nosso planeta Terra denominado Tuvalu. Cerca de 26km² com uma altitude imensa de 7 metros a contar da margem do mar, faz com que esta seja uma das situações em que nos faz lembrar de nossa pobre sobrevivência animal.

Paradisíaca e turística, a população de Tuvalu exige uma posição por parte de todas as organizações e governos espalhados pelo mundo. Simples e prático: quanto mais rápido ocorrerem os derretimentos das porções de gelo nos pólos de nosso levemente ovalado planeta,  Tuvalu será a primeira a testemunhar a invasão das águas. Sua altitude é insignificante perto das proporções gigantescas que os países continentais possuem, e suas altitudes montanhescas.

Cá estamos no nosso Brasil varonil, em que vivemos dia após dia um cotidiano reclamável e sofrido por boa parte da população que vive as misérias condições. Simples: o movimento está em observarmos que, enquanto a população em si passa a enriquecer e a pensar cada vez mais em seu próprio umbigo, o outro é deixado de lado.

Talvez poucos sejam os que se preocupem com o crescimento cultural e intelectual da camada mais pobre da população. Mas a situação é: enquanto poucos tem acesso a excelente saúde e alimentação, muitos são aqueles que passam pelo inverso. E perguntem-se: esses "poucos" estão se preocupando com os muitos?

Juntemos as duas coisas: Tuvalu é um arquipélago, cujo apelo é negado por vários países. Eles crescem, desenvolvem-se e emitem o quanto quiserem de gás carbônico na atmosfera. Quem sofre? Tuvalu, óbvio.

A população pobre também é tão cidadã quanto qualquer indivíduo sobre o solo brasileiro. Porém, com o desenvolvimento de muitos, qual a necessidade de que aqueles que estão lá embaixo tenham do bom  e do melhor?

Os chamados pequenos, são os grandes reveladores de que algo está errado, mas muitos não querem enxergar.

Os turistas, ávidos pelas ilhas paradisíacas, querem gastar seus dólares em viagens para passar momentos inimagináveis proporcionados pela mamãe natureza. Políticos ávidos pelo poder, gritam para a massa populacional que querem voto, em nome de melhorias sociais.

A população, aos políticos, prestam para votar e nada mais. Tuvalu, presta para divertir turistas, independente do sofrimento de sua população. Para que se preocupar com Tuvalu, se temos mais de 7000 metros no mundo para contemplar? Para que se preocupar com os pobres, se eles são os agentes do enriquecimento da população rica, por meio do sofrimento em trabalhos braçais e penosos ( e por que não dizer também sobre os pagamentos de impostos?).

Dois termômetros bem na cada de todos. Não olha quem vive por cima e não sofre. E que acredita que não fazemos parte de uma natureza contínua, em progresso/ regresso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Figos e downloads

Imagine na seguinte situação - que alguém falasse que a internet está lenta. Desespero para uns, fim de carrera para outros. Cada vez mais estamos dependentes da internet. Não posso reclamar nenhum pouco, logo, este texto foi publicado onde?

Não é a situação não é a internet, mas sim o tempo com o qual estamos acostumados a resolver os problemas.

Já se foi o tempo em que um depósito dependeria de vários papéis e de contatos entre várias agências via telefone. Agora tudo acontece praticamente instantaneamente.

O preço disso tudo é uma geração de pessoas que não sabem o que é muito tempo. E não sabem como as pessoas eram pacientes.

Lembrança disso eram os antigos doces que eram processados tranquilamente, desde o plantio das devidas frutas até ficar pronto. Exemplo disso é o processamento do doce de figo. Demoram 3 dias para que o figo verde tenha todo o seu "leite" completamente retirado, assim, ninguém passaria mal. Aí entra o açucar e ponto para a compota.

Agora, o que me remeteu a tal busca foi ter feito um download, num daqueles sites especiais, tal qual o 4shared. Aliás, era esse. De repente, como sempre, apareceu aquela belíssima imagem, para esperar alguns segundos. A outra opção seria: pagar para ter imediato.

Muito bem, o caso em si é: o que me custa esperar 108 segundos?  Espero com muita tranquilidade sem precisar pagar nada. Até o relógio, para aumentar a ansiedade, faz contagem regressiva, para mostrar o como demora 108 segundos. Realmente. Demoram.

108 segundos dá uma impressão irreal. O que é 1 minutos e 48 segundos?  Basicamente nada. Mas, para as pessoas que estão ansiosas para fazer downloads e não sabem esperar, é uma eternidade.

Quem dera as pessoas que são pressionadas por esse reloginho e passam a pagar pelo download instanâneo, tivessem que fazer o doce de figo? O que seriam da ansiedade dessas pessoas? Será que elas colocariam o quesito "paciência" em prática?

Sorte que doces caseiros não são realizados por downloads. A paciência é mais deliciosa do que imaginamos. 259200 segundos não é pra qualquer um. E fica pronto em casa.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Surdez religiosa

Ao passar desapercebido por uma casa, num bairro universitário de Maringá, percebi em um portão uma pequena placa que indicava ser uma igreja.

Não cheguei a entrar em dias de culto. Apenas passei ao lado. E mesmo que eu quizesse assistir, não seria necessário. Bastava estar alguns metros para o lado de fora.

O que mais me chamou atenção neste culto, não foi nenhuma diferenciação - foi o simples usar de microfones.

Microfones são utilizados para recursos em que não conseguimos fazer com que o outro ouça perfeitamente em um espaço grande. Ou mesmo em locais médios, para ficar mais cômodo ao espectador e não ter que forçar sua audição.

Neste caso específico, o local onde era utilizado o microfone, deveria ser uma sala de 3 metros por 3. Ou seja, suficientemente audível para quem lá estivesse.

Mas gritavam com o microfone, numa caixinha visível pela porta, e o som só perdia para as exclamações dos membros. Nada contra o culto, nada contra a religião. Tudo contra o desrespeito ao próximo.

Sei que muitas bandas (quase todas) utilizam-se de sons ligados para ensaiar - até para ver como é realmente o que estão fazendo - voz microfonada para não perder para o som da bateria, e coisas assim. Porém em um local pequeno, onde o espaço é separado para orações, é realmente necessário?

Será que o encobrir de som não estava separado para os fiéis? Encobrir o que os fiéis tem a dizer? Ou não dar espaço para pensamentos e fazer comque a gritaria entre profundamente sem direito a reflexão pessoal?

O grande problema não é a religiosidade - mas sim a condução ao fiel. Tratar como szer humano e não como coisa.

De lá de perto, saí espantado, pensando em como sairia um indivíduo de lá de dentro, depois de 2 horas de gritarias. A não ser que eu estivesse totalmente errado neste caso, e fosse uma igreja específica para surdos.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Máscaras e artistas

Vivemos em um mundo de instabilidades. Óbvio, ninguém sabe o que ocorrerá no dia de amanhã, a não ser que, cientificamente, prove-se que a astrologia e o tarot funcionam. Do contrário, o mundo é um mar de aleatoriedades e sentimentos diversos.

Vivemos compartilhando ideias e sentimentos. E para cada sentimento, temos uma reação, que acreditamos se própria para o momento.


É por isso que na antiga Grécia, nas famosas peças teatrais, era comum que no coro ou mesmo que os artistas compartilhassem de máscaras para demonstrar os sentimentos daquele exato momento. E hoje, este é o símbolo do teatro, mundialmente reconhecido.

Quem dera as máscaras fossem apenas utilizadas por artistas. Vivemos em um mundo de máscaras. Em um mar de trocas constantes e de emoções modificadas segundo após segundo.

Viver máscaras é um tanto quanto pesado. Agir de um jeito diante de uma pessoa, e agir de outro com outra exige energia. Porém, aos artistas, cabe o momento da sobrevivência como uma profissão.

Para o artista, vestir a máscara significa atuar tal qual o momento da peça ou filme ou novela ou... é a profissão. Do contrário, a ausência de mudanças significa uma ausência de emoções. E ausência de emoções - ausência de profissionalismo, e quem sabe, um pouco mais de experiência.

A energia do artista, dependendo da situação, é direcionada momentaneamente para a atuação. Do contrário, viver um personagem eternamente é motivo de horas de análise. Quem sabe alguns ansiolíticos.

Em nossa sociedade, as máscaras mudam constantemente. O gasto energético é diário. Não vemos nem percebemos. Seria um caso de analisar caso a caso. Mas não somos psicólogos para tudo.

Quem dera pudéssemos ser artistas e vestir máscaras momentaneamente, tirar e ir embora. Vemos mudar a todo o tempo. E caímos em abismos ou até subimos em montanhas por sentimentos alheios. Quando no fundo, tudo era uma simples máscara, que cairia a qualquer momento.

Temos uma máscara, que é nossa, que cabe direitinho em todos os músculos e ossos que formam o nosso rosto. Porém, nos sentimos incomodados e acreditamos que tudo isso é bom. Até quando?

Até quando viver algo que não é seu é bom? Até quando fazer que o outro se sinta bem é positivo? Até quando devemos não revelar o que há por trás das máscaras e provar a verdadeira positividade, do que ter falsos sentimentos?

Quem dera valorizássemos a nossa máscara, e saber que o nosso positivo, é mais positivo do que a máscara que muitas vezes, carregamos. Não somos artistas. Não somos psicólogos. Mas podemos ser nós mesmos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Inspiração zero.

Muitos dizem que a insperação é algo indefinido, que nos faz escrever ou fazer algo interessante e criativo. Tal qual uma entidade espírita, que desce de vez em quando ( isso para quem acredita em tais fenômenos.)

Muitas vezes a vontade vem que vem. Muitas vezes desaparece. Outras vezes...

Outras vezes tentamos sentar diante de um computador, ou até mesmo de um velho e primitivo papel para esboçar alguma coisa e nada. Insistimos e nada. Absolutamente nada. Um tema? Não. Uma simples anedota? Nem.

Eis que nos esquecemos do velho martírio que nos ronda constantemente: a ansiedade. A velha e boa an siedade. Como? Por quê?E agora?

E agora é hora de dar um tempo ao tempo. De esfriar a cabeça. Mas a obrigação insiste em bater em nossos tímpanos e estremecer nossas velhas células cerebrais, afim de remoer em nosso in-sub-consciente algo que faça escrever.

Nunca optei pela psicografia e nem seria minha onda. Mas o que digo é: Será quie damos realmente o tempo necessário que nossas sinapses desejam? Será que somos realmente fortes para estarmos 24 horas prontos para tudo?

A cobrança é mais mental do que real ( e é real para quem depende disso). Mas nossa mente precisa de um descanso. Da desobrigação de deixar de informar o outro. De dar a vez e a voz para o silêncio, que vive inerte em nossas mentes.

O ócio não é dispensável. Fazemos com que ele seja pecaminoso.

Hoje informamos tudo e todos a todo tempo. E o que fazemos com tudo? Nada.

Não ter inspiraçao significa estar em reflexão temporária. Ou não. Tá na hora de levantar a válvula da panela de pressão e deixar vazar um pouco. Ou não.

Não tenho mais o que escrever por agora. Depois eu vejo. Ou não.