segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Universo psicológico

O problema de ser observador é que as vezes você observa o que é desnecessário. Ou que é necessário, mas não para você.

Estava eu prazeirosamente a esperar me chamarem para um exame médico, quando a secretária chamou-me para confirmar alguns documentos: RG e aquelas coisas de sempre, endereço e tal. Para tanto, ao terminar, as duas atendentes retornaram as suas atividades normais. Começaram a conversar entre si e fofocar coisas da vida cotidiana. Bom, creio que vossa senhoria que escolheu gastar seu tempo com tal leitura, percebeu que o narrador estava a observar algo alheio. Coisa feia né?

Enfim, estavam conversando intensamente e baixinho que era para ninguém ( que podia ser eu neste caso ) ouvir. E falaram até a médica chegar. Assim que ela chegou, começou a comentar com as atendentes ( que eram duas e e se eu não tinha dito antes digo agora) que ela queria comprar uma chupeta do Corinthians. Para quem eu não sei, creio que fosse para alguma criança. Ou seu filho. Ou alguém extremamente fixado na fase oral.

Pois elas conversaram intensamente sobre a dificuldade de se achar uma chupeta do Corinthians para comprar e a doutora pedia auxílios para encontrar uma loja no município que pudesse oferecer tal artefato infanto-futebolístico.

Pois já com um suposto novo prontuário em mãos, chamou imediatamente seu paciente. E assim que saiu, pediu para as "meninas" darem uma "procurada na internet".

Entrou a doutora e entrou o paciente. Ficaram as meninas e eu a esperar. Pois mal a doutora fechar a sua porta e uma das meninas disseram: " Ah! Já estou procurando ( imagine um tom irônico aqui tá)"

Pois as duas começaram a tricotar blusas sobre últimos ocorridos entre elas e a doutora. Falavam em voz suficentemente audível. Não só para elas, mas para mim também. Estavam atrás do balcão conversando tranquilamente sobre os "pedidos da médica", como se ninguém estivesse prestando atenção. E realmente todos fingiam não ouvir, mas era possível compreender sem muita dificuldade.

Fiquei meio incomodado, pois imaginei o tamanho da confiança da DRA. neste caso para com suas auxiliares. Apesar de serem contratadas por ela, ainda tinham a audácia de em bom som de voz criticá-la por causa de uma peça de borracha anatomicamente possível de ser chupado por um nenê. Ou por alguém com fixação na fase oral. Que torça pro Corinthians.

É incrível como as vezes isolamos nosso universo por causa de um balcão, uma peça que nos separe de um ambiente para outro: daquela cena, consegui recordar que as vezes, ativamos esse modo "microuniverso" e lá ficamos acreditando que uma coisa é estar ali dentro, e que por questões de algumas barreiras físicas tal qual um balcão ou mesmo até uma mesinha, somos capazes de isolarmos rapidamente do geral e criar um outro universo "aparentemente invisível".

Trocando em miúdos, temos uma facilidade incrível de transformarmos o ambiente público em um espaço privado, apesar de ele ainda ser público. A barreira física não nos isola, mas mente humana é fantasticamente preparada para fantasiar situações que nos façam acreditar que aquilo de fato ocorra. Imaginamos o isolamento sem estarmos isolados, e fantasiamos por alguns minutos que estamos isolados. Quando não estamos.

Talvez gostemos de ficarmos isolados para podermos viver a nossa realidade, e não a múltipla realidade. Podemos assim talvez expressar nosso pequeníssimo mundo pessoal, o EU interior que muitos gostam de falar e ali ficar. Saiu dali, a coisa volta ao normal.

Talvez seja por isso que ficamos um pouco mais a vontade atras de um púpito, ao invés de termos um simples microfone. Corinthianos famosos ficam soltíssimos para falar em um púpito, a ponto de transformar uma crise financeira em uma pelada de sábado a tarde! Criamos o nosso mundinho particular rapidamente e pronto! Palavras para que te quero! Óbvio que isso não ajuda, mas que enfrentar um público com ou sem púpito é muito diferente, é.

Enfim, as duas atendentes me lembraram que sempre gostamos de recorrer ao nosso pequeno universo. De na nossa infância nas nossas carteiras com os nossos rabiscos e nossos lápis e borrachas. Com os livros ordenados do nosso particular jeito, e por que não dizer que o mundo isolado fosse tão propício para conversar? Ninguém no meu universo ouviria, não é mesmo?

Assim somos, ainda recorremos ao nosso universo pessoal para podermos interagir com o nosso mundo. Interagir com nossos colegas de sala. Com os nossos colegas de trabalho. Com os pacientes que pouco estão se lixando. E vomitar sobre chupetas e malidicências de patrões, em frente de um público que supostamente não está ouvindo. Nem um pouco.

Basta uma carteira, ou um balcão e uma necessidade de adquirir uma chupeta do Corinthians e o mundo repentinamente se torna egocentrista.

domingo, 17 de janeiro de 2010

O século das Humanas

Lembro-me perfeitamente que quando ingressei em meu curso superior, uma das coisas que eu mais parava para pensar é o valor dos cursos de humanas. Pois bem, entre tantos pensamentos uma das coisas que eu mais parei para pensar, como uma forma de conclusão pessoal sobre tudo que já se passou não só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro como um todo foi que eu possivelmente acreditava que o século XXI seria o século das humanas.


Humanas no sentido das ciências humanas. Tudo aquilo que refira a humanidade, suas causas, consequências e atos. Parei para pensar que o século XXI seria o momento pelo qual o homem se tocaria e começaria a olhar para o ser humano, olhar para o outro, para si e não para o que ele tem.

Trago cá minhas conclusões: O século XIX foi um século para a humanidade de definição economica espacial: as colônias, as neocolônias e as "neometropoles" começavam a traçar seus objetivos para aquilo que fosse de interessante para a fixação econômica do estado em si: A Europa (não toda) estava a pleno vapor, com suas máquinas invencíveis que construiram aquilo que tanto gostamos de denominar de revolução industrial. Foi praticamente um século em que, grosso modo, a economia guiou e participou no avanço social - tanto pelo lado positivo, acompanhando o crescimento patronal quanto pelo lado negativo, ao dizermos sobre as mazelas da sociedade proletária.

Resumindo, a Europa definiu sua posição econômica - manipulou sua própria população para o crescimento econômico, em que poucos poderiam de fato participar desse crescimento. Conquistar foi a palavra sagrada deste momento. E conquistar, no sentido de "obter", "ganhar". 

E dentro desta conquista, não podemos esquecer da posição dos estados europeus quanto aos outros continentes: Com a América, a superproteção econômica inglesa ao Brasil, como reforço de uma nova nação como fornecedora de matéria-prima para a indústria têxtil. Com a África e Ásia, com a utilização de mão-de-obra praticamente de graça e um novo mercado consumidor e o direito de traçar um novo mapa com régua como instrumento de trabalho para dividir aldeias que desconheciam o que é nação no sentido ocidental.

Generalizando, o século XIX foi um século de posicionamento econômico Europeu, da utilização da mão-de-obra barata e matéria-prima de outros novos continentes. O pensamento do homem em si era todo voltado para conquistas.


Já o século XX é um século diretamente ligado ao século XIX. No primeiro conceito, que eu deixaria aqui, o século XX iniciou-se como uma consequência direta do conquistar do homem. É só lembrarmos do misto desejo de defes e conquista provocados pela 1ª e 2ª Guerras Mundiais - não foram guerras causadas pura e simplesmente pela necessidade de conquistar e defender o pouco que tinham? Ou o muito? E qum levava sem querer o peso disso tudo, do crescer e do progredir, do conquistar? O povo.

Os anos passaram e o século XX passou por três períodos: das guerras e conflitos diretos da 1ª e 2ª Guerra Mundial, dos conflitos indiretos entre EUA e URSS e o período de Globalização, consequência direta da Revoução Industrial.

Não desprezaria jamais as produções filosóficas destes dois últimos séculos, muito menos as descobertas psicológicas e sociais desenvolvidas pelos cientistas, sociólogos  e historiadores. O século XX foi revolucionário na área das humanas. Mas aqui, cabe ressaltar que o ponto estratégico é que essas ciências não atingiram o seu auge: naõ foram reconhecidas como tal. São ciências de pensamentos, que, não produziria lucro. Portanto, ficaria de lado.

Resumo da ópera: Os dois últimos séculos foram marcados pela necessidade do consumir, do obter e do não refletir sobre o que virá a acontecer, apesar do crescimento acadêmico das ciências humanas.


O reflexo que vejo da modificação dessa sociedade, são os sinais deixados pelos movimentos humanos. Depois de tanta guerra, de tanto querer, na década de 70, a população estarrecida procura buscar um lado mais espiritual, como forma de escape da conquista desenfreada dos grandes, que pouco se importam com os pequenos. Sim, os Hyppies. Para mim é o reflexo direto da modificação da sociedade. Veja que 30 anos antes da modificação dos caracteres, sendo o "I" sair do meio dos "xis-xis", já pediam paz e amor. Já pediam o fim da guerra do Vietnã. Já não queriam mais saber do consumismo e desejavam uma sociedade mais igualitária.

A sociedade reprimida pelos desejos dos governantes pedia um basta. E não foi diferente no Brasil. Basta vermos os reflexos de nossa sociedade calada pela ditdura militar, os movimentos culturais do tropicalismo e mais ao fim, os pedidos de Diretas Já. A sociedade como um todo pedia socorro. E um basta: não aguento mais.

O final do século XX foi posicionado em um momento de incertezas e dúvidas: das reações de grupos terroristas, e de homens e mulheres duvidando das instituições tão seguras de si, trocando em outras pequenas palavras, o século XX terminou comum ponto de interrogação: E ai? Coquisar, obter, ter, é tudo? O verdadeiro sistema que rege o mundo é o econômico? É ser capitalista? É ser comunsta? Marxista? Liberal?

Quero nesse momento compartilhar o pensamento de um dos "arquitetos" da Perestroika, Alexsandr Yakovkev:


"Nos Poucos anos que restamdo século XX, as últimas ilusões que temos do comunismo que conhecemos esde a metade do século XIX cm certeza terão sido totalmente destruídas. Ao mesmo tempo, veremos uma restauração de valores verdadeiramente humanos. Até agora, os valores humanos foram, como uma questão de política ativa, completamente dominados pelos desenedimentos, mentiras e calúnias. Chegou enfim a época em que serão libertados. Quando consideramos tanto o presente como o futuro, não podemos deixar de concluir que a prinipal crise que enfrentamos hoje está no domínio dos ideais espirituais."
Citei nosso querido Yakovlev como meio de reflexão: depois de tantos conflitos esquecemos a humanidade - de olhar para dentro de nós mesmos e procurar os nossos problemas.

Passamos dois séculos procurando o que engrandecesse os países, as nações e as economias. Agora a população desses países se cansaram e necessitam crescer por dentro. Cada um com seu destino. Depois de tanto crescer, o homem ficou sem crescer.

Ao dizer que nosso confronto é espiritual, prefiro traduzir como a ausência interior do indivíduo. O vazio completo. A ausência do eu em confronto com o geral. Dos celulares que nos ligam a todos que queremos em qualquer lugar que estivermos, mas que não responde aos nossos mais íntimos problemas.


Não seria agora o momento de vermos o homem voltar para si e descobrir-se? Não que ele não tenha feito isso já, mas não com tanta intensidade. Mas está na hora da psicologia sair dos consultórios e trazer a tona a possibilidade de se observar. De se tocar que os espaços urbanos que convivemos é consequência direta das necessidades e planos de grandes e pequenos: de afastantes e afastados. De observarmos que a liberdade que tanto se diz que é oferecida pelos Twitters e Facebooks da vida são apenas uma amostra de queremos mostrar aos outros um pouco da nossa solidão.

Que se você constroi uma casa em um local inapropriado, que por falta de tato mental tudo pode vir a desabar é um gesto de não ouvirmos o muito que tem a dizer o mundo em que vivemos, a pura e viva geografia? Não, fundação e alicerce servem pra segurar, enquanto ficamos tristes com mortes e culpamos a natureza. A casa, reta e firme é intocável e perfeita. A morte e as consequencias são imprevisíveis e imperfeitas. Assim é facil culpar qualquer divindade que seja.

Que estamos atrelados a uma proposta governamental que nós mesmos escolhemos, e que tudo que acontece de injusto é prova do nosso silêncio diante de uma proposta maior, de nosso medo. Que a verdadeira paz não se busca na ausência da guerra, mas em guerrear com o ser interior. Que pensar não cansa, mas muda um pouco de cada um de nós. Está mais que na hora de voltarmos para nós mesmos e concluirmos definitivamente que um país não faz a felicidade. Um governo não põe alegria na mesa, por mais comunista que seja. O mais belo carro não traz as benesses da verdadeira amizade.

Prova disso é que vemos cada dia mais as ciências duras se aproximando das ciências huamanas, para concluir o que os números não conseguem provar. O ser humano não é exato. Acordamos diferente a cada dia. Não nego o número, mas jamais posso concordar que ele responderá a tudo. E não tem conseguido.
O século XXI está apenas em seu princípio, comemorando seus 10 anos. Mas, entre tanto alimentarmos os outros, está na hora de nos alimentarmos. De sermos o objeto de estudo, definitivamente. Não precisamos mais ir tão longe, concluir tantas coisas em outros planetas, enquanto o nosso está humanamente necessitado. 

Sim, depois de tanto ter, alcançar, conquistar, é chegada a hora de nos observar: o que somos e o que fazemos. Eis o século das Humanas.



domingo, 10 de janeiro de 2010

Educando a saúde

O ano passado foi o ano do terror para todas as escolas: a pedido do Ministério da Saúde, fecharam-se as portas dos locais onde possivelmente teriam aglomerados de pessoas. Por quê? Por causa da gripe aviária uai, precisa outro motivo?

Enfim, foi o desespero: as escolas tiveram que apertar seu calendário, remodelar seu quadro de professores e mandar bala! Foi um verdadeiro transtorno que, em algumas escolas, deu o ar da graça até o dia 23 de dezembro do ano passado.

Fora o medaço que essa gripe deu, poderia dizer que o que mais me marcou foram as preocupações que a gripe em si provocou. E não menos importante, temos que nos recordar também das ações educativas tomadas pelo Ministério da Saúde:



O mais interessante de tudo são as informações que recebemos diante dessa situação - e vieram em boa hora por causa do frio, tais como lavar as mãos frequentemente utilizando-se também do álcool em gel, usar lenços descartáveis e espirrar entre o braço e o antebraço para evitar espalhar o vírus.

Não nos esqueçamos pois, da nossa mais famosa manifestação cultural - o carnaval. É nessa época que todos os postos de saúde e empresas de comunicação e propaganda ficam mais atentas à criatividade e a pluralização da utilização da famosa camisa-de-Vênus, ou popularmente conhecida por camisinha.


É nesta época em que se acredita que o brasileiro fica mais aceso. É. Bebida, música agitada, aglomerado, mulherada e pronto! Taí o ambiente perfeito para o sexo. Como se o sexo só aparecesse nesses aspectos, mas são 5 dias entregues aos desejos mais libidinosos. E depois desse dia conta-se 40 dias de retidão e jejum. Ahan.





Enfim, o que acaba acontecendo é mais uma situação sazonal: período de aglomerações e festas levam ao sexo que podem levar às famosas DST, entre elas a nociva SIDA, ou AIDS. E ai entra a criatividade e as mais diversas formas de propagar a prevenção e o sexo seguro.

O que me intriga não é a ação do Ministério da Saúde. Ela é totalmente positiva e válida. Precisamos ser realmente informados e prevenidos de possíveis problemas. É a forma pela qual tomou-se a atitude e não acordamos para a realidade. Digo que não acordamos pois a melhor forma que temos para evitarmos a disseminação de doenças é a prevenção. Prevenção educacional, informando sobre os riscos e formas de prevenção.

Trocando em miúdos, o brasileiro não pega gripe só no frio - aliás a gripe suína pode ser espalhada em qualquer momento. Aliás, reuniões de várias pessoas acontecem em qualquer época do ano.

Trocando em miúdos mais uma vez, que é para não perder a prática, o brasileiro não faz sexo só no carnaval. Ele mete a qualquer hora e em qualquer lugar, tal qual qualquer ser humano tem essa possibilidade. E também pega AIDS ou qualquer que seja a DST fora do período do carnaval. Nossa, fui grosseiro? Desculpe.

A real situação é que nossa sociedade pode e tem condições de ser prevenida em outros momentos - temos milhares de escolas que estão de portas abertas para informar dos perigos das doenças, da prevenção em geral. De formas positivas de higiene e dos problemas causados pelos vermes e bactérias provenientes de nossa preguiça higiênica.

Se puxarmos as orelhas das crianças ( não leve ao pé-da-letra, ok? ) a consciência salutar é construída com muito mais segurança do que imaginamos. E por que também não falarmos de outros espaços, como apresentação de palestras em empresas, sociedades e outros locais?

O grande segredo está em não pensarmos em doenças ou em prevenções em épocas específicas. A dengue mata o ano todo, assim como a gripe, tuberculose e outras doenças mais. Quiçá a conjuntivite, que é tão simples mas pode se transformar numa epidemia,  não tem preocupação preventiva.  Nenhuma doença é sazonal (até onde eu saiba e se você souber de alguma, por favor me informe nos comentários)Se gastamos tanto com a remediação, seria um tanto quanto interessante gastarmos mais com a prevenção. Já está passando da hora da educação ser um fator prioritariamente saudável. O Ministério da Saúde e o da Educação precisam conversar mais entre si.


P.S.: Tu que escrevestes a doença que é sazonal, concorda comigo que apesar de eu ter esquecido de alguma coisa, realmente a prevenção não-sazonal é necessária, né? 

domingo, 3 de janeiro de 2010

Tirando da vista

Todos os dias, utilizamos alguma coisa que nos é importante para qualquer que seja a nossa tarefa diária. Aproveitamos, e aquilo que não mais utilizamos, jogamos no lixo.

Indo seus restos para o lixo, o próximo destino mais próximo é o depósito, onde ele ficará depositado até desintegrar. Esta é uma trajetória acíclica, pois o movimento que fazemos é fazer sumir. Sumiu, eliminou, utilizou-se, pronto, o próximo passo é fazer sumir.

Não estou aqui desprezando a árdua tarefa dos recicláveis e da sua reutilização, que aliás, vem crescendo e se tornando entre a população um ato exemplar - estou falando do fator do Jogar fora. Do pegar, usar e jogar fora.

É um ato simples e prático: fazemos sumir das nossas vistas aquilo que tanto usamos ou que nos é inútil. Como se fosse um simples passo de mágica: Põe na lixeira, os catadores da prefeitura recolhem e pronto! Sumiu! E sem espanto de ninguém pois aquilo não é uma mágica que ninguém conhece. O ato de fazer o lixo desaparecer é mais comum aos olhares de qualquer ser humano.

Mal sabem o ponto final do lixo: que ele vai para um aterro sanitário, possivelmente apodrece e possivelmente exalará o pior dos cheiros. E quem dera estivéssemos com isso dentro de casa né, melhor lá longe onde ele é eliminado do que dentro do lar e deixar a casa mais bonitinha, não é?

Que ninguém gosta do cheiro do lixo, todos sabemos, mas não gostamos de prever o que podemos fazer ou parar para pensar como melhor reciclar ou melhor aproveitar tudo o que fazemos, tirando o máximo de proveito para fazer com que a natureza não tenha que sofrer tanto.

Quem dera falássemos só de lixo: assim ficaríamos mais tranquilos. Nós seres humanos também gostamos de jogar coisas que são vivas e muito próximas de nossas vidas.

Quem diria o ponto final de alguns idosos na face dessa terra? Asilo. Isso mesmo. Um asilo é outro exemplo daquilo que fazemos na nossa mágica psiclológica de fazer sumir as coisas que já utilizamos, aproveitamos e usamos até seu último minuto de força. Não é pequeno o número de asilos que vemos por aí, repleto de idosos cujas famílias deixam lá em troca de melhores cuidados.

Ali vivem, dependem de doações e de vez em nunca os familiares vão visitar para dar uma olhadela para ver como andam as coisas. No fundo da consciência coletiva, a situação é a seguinte: não se sabe cuidar, não se tem estrutura psicológica para lidar com o ciclo final de um ser humano e o elimina do ambiente. Põe em um espaço supostamente propício e o indivíduo que se vê sem aquele idoso, fica livre das imtempéries produzidas pelo velho.

Vivemos em uma sociedade em que tirar da vista significa curar, eliminar, sanar. Quando jogamos um item desnecessário no lixo, tiramos da vista algo que nos atrapalha e fazemos com que aquilo deixe de nos atrapalhar e vá atrapalhar em outro lugar, de preferência em um aterro sanitário que provavelmente esteja bem longe de casa. QUando colocamos um idoso em um asilo, tiramos de vista o indivíduo em situação precária que dá trabalho, depois de tanto tempo de vida.

Preferimos tirar de nossas vistas ao invés de procurarmos informações de como melhor cuidar dos idosos: de entender o que se passa na vida psicológica do indivíduo e como lidar com isso. Se trata de um momento psicológico muito especial que necessita um apoio familiar maior do que se pensa. Mas o maior resultado que temos é ver cada dia que passa, os asilos aumentarem o número de idosos, como prova concreta da ausência de paciência e procura de apoio das famílias quanto ao cuidado dos seus vovôs e vovós. Jogamos o lixo sem procurar saber como aquilo vai denegrir o meio ambiente, o quanto seus resíduos vão poluir os rios para apenas, mantermos a nossa casa limpa.

Esquecemos que fazemos a mágica de fazer sumir os resíduos em um ambiente que com o progresso da sociedade, virá a ser necessário, ou utilizará um recurso necessário pra o bem-estar da sociedade. Esquecemos que fazemos a mágica de fazer os nossos idosos sumir de casa, para que outras pessoas possam lidar com elas, quando na verdade todos nós procuramos atingir a longevidade. E longevidade significa atingir a 3ª idade.

Mas para que se preocupar se ele é quem está velho, se o lixo já está no aterro? Eu estou em uma casa limpa e jamais ficarei idoso, não é mesmo? Mais para frente eu penso nisso, pra que prevenir se tem tantos remédios, tantos aterros, tantos asilos? Preferimos nos mantermos ignorantes ao sermos o agente modificador dos problemas da nossa própria sociedade.

Tirar da vista é o placebo dos problemas psicológicos coletivos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Mandi ensaboado


Imagine um peixe sem escamas por natureza, não que você tenha tido o trabalho de retira-las. Liso. Ensaboe-o. Ou se quiser, passe uma camada de óleo por toda a sua superfície. Agora tente pegar firmemente com suas mãos. Conseguiu? Se você não conseguiu, parabéns, você acabou de provar na prática o que é a expressão "bagre ensaboado". Se conseguiu, também te dou meus parabéns, pois a situação é embaraçosa e vossa senhoria com certeza está abraçado com o peixe, para que ele não escorregue de vez.

A nossa querida expressão se remete a justamente isso: ser liso, ligeiro diante de alguma situação. Escapar facilmente ante às imtempéries apresentadas ao indivíduo em si.

Apesar do linguajar lexicográfico, a situação é essa: escapou rapidinho? Bagrão ensaboado! Prometeu e convenceu? É bagre! Tu escapou meu caro! Merece o título!

Enfim, estou cá para falar dessas escapadelas que estamos tão preparados para "passar por" e para testemunhar. E não estamos tão longe de uma situação dessa. Principalmente quando vários representantes do mundo se encontram para discutir problemas ambientais e coisas do gênero. Aquele lance todo de Gás Carbônico e tal... aquecimento global... coisas as quais sabemos que está acontecendo, estamos acostumando, percebemos em nossas peles que algo está ocorrendo, mas não queremos acreditar que ocorre.

Pois bem, lá está o nosso querido peixe, nadando pelas superfícies de Copenhage. E dou a licença poética ao me querido bagre, pois esse é africano e desde que eu me conheça por gente, ninguém nada em superfícies sólidas, rasteja. E é resistente fora d'água.

Pois nosso querido bagre,carregando em suas guelras seu sabonete dove, que é pra não ressecar a pele como um sabonete comum, passou o mesmo pelo seu liso corpo e de imediato pulo no colo do presidente dos Estados Unidos da América, Sr. Barack Obama. 

E não é que ele gostou do Mr. President? Ficou se esfregando durante o discurso e paulatinamente nosso querido chordata nadador passou pela suas mãos e lá ele fez seu salto mortal e significativo: saiu voando como nenhum pássaro faria, mas como qualquer bagre bem betumado faria.

É bem disso que eu estou falando: Mr. Obama não defendeu nenhuma posição quanto à meta para redução de emissão de Gás Carbônico. Falou, falou e não fixou meta nenhuma. Viva o bagre!

E não é diferente aqui na terra em que bagre tem de monte, e quando é tem muitas semelhanças ao africano, canta e tem ferrões venenosos. Chamam costumeiramente de mandi. E não diferente, estamos em um país de pronta pescaria, em que nosso querido mandi ( pra ser um pouco tupininquim) anda pulando nos colos de várias pessoas.


E por que não falar que nosso mandi esteve em colos cinematográficos? É. Ele foi dar uma nadada por entre os set de filmagem do filme Lula, o filho do Brasil e lá passou de mão em mão. E por que não ser tupiniquim de novo e aproveitar que nosso queridíssimo mandi utilizou-se de sabão de coco para dar um duplo-salto-carpado-ao-molho-tártaro?

Pois foi nosso querido animal e pulou no colo do diretor, do presidente e de vários políticos. Quando diziam: Não é por que estamos entrando em ano eleitoral que lançamos o filme, lá vai o mandi pro chão, com a rapidez que a gravidade auxiliada pelas falhas palmas das mãos  não agarram nosso bichinho. Vai mandi!

De um lado, nosso querido Obama tem um bagre que pulula em seus dedos em questão de um mercado financeiro qe observa atentamente o que ele falaria: reduziu o Gás Carbônico, é diminuir a economia do país. Diminuir a economia americana é perder espaços para a ecnomia chinesa. PERDER PARA A CHINA? MÁ NEM DEFECANDO!

O bagre ensaboado pesa na consciência política por mais que se queira fazer modificações. Impôr condições econômicas é praticamente uma situação que não cabe à uma pessoa, mas ao sistema todo, cuja rede está mediada por reduções ou aumentos. E chaminés e avanço industrial, neste caso, estão diretamente ligadas: cresceu um deles, cresce o outro por consequência.

E não é diferente por cá: por que não falarmos que tudo o que tem acontecido não é nossa culpa? Talvez eu ter citado o caso do filme do Herr Prrrrrrresident foi algo ameno, mas estamos cansados de escândalos que terminam em pizza. Ué, por que não esconder tudo não é mesmo? Nossa rede é um pouco mais escandalosa. O sistema que segura todas as informações com certeza vem segurando coisas que estão há tempos acontecendo dentro da política brasileira, costumes dos corredores das salas do planalto central, que qando reveladada, é esquisita. Mas é costumeira. E pra dizer que não é errado,basta dar aquela escapadela e justificar com palavras que não respondem nada.

Dois sistemas: a economia global, que avança e não quer recuar, e a política que favorece os pouquíssimos e escolhidos do povo. Duas espécies de bagre, que nadam, nadam, sem parar. E continuam insistindo em nadar. E a pular em colos e braços muito bem preparados e medrosos de perder seus poderes.

Viva o bagre! Viva o sabão! Viva a doce união entre ambos!  

domingo, 20 de dezembro de 2009

Monumentos humanos

É normal que quando somos perguntados sobre alguns monumentos, lembremos de imediato de um ou outro: Assim que nos perguntam da Torre Eiffel, lembramos de Paris, da França. As pirâmides, do Egito, de seus mistérios. Cristo Redentor: Brasil. É uma atividade mecânica e natural, pois está bem guardada em nossas memórias. Também dera: o tamanho ajuda né?

Enfim, nos lembramos do monumento em si. Óbvio, nos cansaria ter que lembrar como foi feito, mas ainda é uma das coisas que mais intriga os historiadores de plantão: como ergueram-se as pirâmides? Eram os deuses astronautas?

O monumento por si só está lá. Monumental. Aparecido que só. Grande. Todo mundo vendo. Esplendoroso.

Mas aí que vem minha inquietação: O que seria dessa grandiosa lembrança a torre eiffel não estivesse sobre um solo francês? Ou das pirâmides se não fosse testemunha do seu antigo povo? Ou de Petra com suas detalhadas colunas?

Nos lembramos o que é, mas não lembramos o porquê. A humanidade ergue monumentos grandiosos para lembrar cada vez mais algo marcante naquele momento social. A torre eiffel fora levantada como comemoração e foi considarada pelos franceses uma aberração arquitetônica no início do século XX. Mas está lá como um dos maiores símbolos monumentais.

Mas o monumento por si só não diz nada do seu povo. Não fala dos feitos, ele aparece. Fica ali, grande. Alguns arquitetos podem discordar de mim, mas, a grande questão que tenho é: a grandiosidade está no solo, no povo, ou no monumento?

Somos egoístas e adoramos símbolos - eles representam a pureza e a grandiosidade de cada um, mas não conta a história de cada um - está simplesmente lá, como um marco territorial, como um signo daquele país.

Preferimos os símbolos, os grandes feitos, mas esquecemos que quem o fez ou de quem ele o simboliza. A França seria tão grandiosa como um país se só tivesse o Arco do triunfo e ninguém mais? Só o templo de Karnak e mais nada?


Esquecemos do povo. Esquecemos de quem está abaixo dos grandes monumentos. Dessas meras formiguinhas que fazem nossa sociedade andar, caminhar ou ficar como está. Preferimos os monumentos deixados, admirar a beleza que resplandece em cada um, e esquecer do que está rolando.

Tomemos como exemplo um monumento simbólico religioso em território brasileiro: A Catedral de Maringá. Cartão postal da cidade. Simbolo da grandiosidade e da beleza contida nesta cidade planejada. Belíssima. Porém, para que tanta beleza, se sua grandiosidade não fosse o reforço espiritual daqueles que procuram conforto? Se ela não fosse um marco para os maringaenses da lembrança eterna da presença visual da Igreja Católica na cidade ( visto que ela é praticamente visível de qualquer parte da cidade) com toda sua imponência? Seria algo grande e bem visível.

O que seria da catedral se não fosse construída por homens e para os homens? Apenas um monumento grande.

Duvidamos da capacidade matemática dos egípcios nas construções das pirâmides. Perto do que acontece hoje em Dubai, o Egito está no chinelo. Mas subestimamos tanto a humanidade que podemos ainda atribuir o feito da beleza das pirâmides aos extraterrestres. Para alguns, o homem não seria capaz, quando o homem egípcio era muito mais inteligente do que imaginamos.

Trocando em miúdos, insistimos nas coisas grandes, belas e magníficas mas não observamos para quem foi feito. Não nos atrai os feitos dos franceses que cruzam e passam a trabalho em todo o território francês. Gostamos das pirâmides egípcias, mas fechamos os olhos para os problemas sociais que sofrem os egípcios. Gostamos do Cristo Redentor mas não gostamos das balas perdidas. Adoramos erguer estádios novos para as olimpíadas, mas o povo não está nem um pouco satisfeito com suas condições sociais.

Gostamos do monumento em si. Somos covardes para com a História. Somos covardes com os humanos que mudam com o tempo e fazem a nação ali mudar. Há algo sempre diferente acontecendo no solo francês, egípcio ou romano. Mas o monumento não muda. Tá lá.

Gostamos da grandiosidade arquitetônica, enquanto a verdadeira grandiosidade está nas mãos dos homens. Que mudam dia após dia. Que se modificam. Enquanto deixamos de ver os grandes monumentos como grandes marcos. Enquanto eles podem ser uma inspiração da grandiosidade da humanidade - de onde o homem pode chegar. Mas preferimos a beleza.

Enquanto admiramos os grandes monumentos, ainda estamos amarrados em nossa mediocridade. Só aprenderemos a grandiosidade humana quando voltarmos os olhos para os humanos, e pensar que o homem é mais capaz do que se imagina. E os verdadeiros monumentos estão vivos, convivem, atuam e são mais importantes do que imaginamos. Enquanto os monumentos arquitetônicos são apenas símbolos.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Demagogia contemporânea

Quando falamos do termo demagogia, estamos falando de um termo que vem do grego que ao pé da letra significa "condução do povo". Isso é consequência direta da prática tão existente na Ágora, em que os discursos entre os cidadãos (homens livres) atenienses, o como seria conduzido os problemas internos e externos desta distinta cidade.


No auge do Século de Péricles, quando a Democracia, ou grosso modo "governo do povo" era a prática em que em Atenas, todos os homens livres poderiam participar da vida política, julgando assim que o indivíduo poderia participar na Ágora, local dos debates democráticos, de dois modos: ouvindo sobre as principais discussões ou proferindo sobre suas idéias acerca dos assuntos debatidos.

Eis que o indivíduo, ao participar do debate em si, tornando suas idéias verbalizadas, não poderia trazer qualquer tipo de ideia: o indivíduo deveria apresentar um discurso convincente o suficiente para que todos pudessem debater calorosamente. Do contrário, apenas mais um falando.

Por isso que uma das atividades mais importantes, além do discurso na ágora, era o indivíduo refletir sobre o que seriadito: eis que o otium ou ócio era necessário: um momento para que eu possa refltir sobre o que é necessário falar ou não.

Misturando tudo: O indivíduo, se homem e livre, podia participar das discussões, que se fosse utilizar da palavra, que procurasse fazer da melhor forma possível, sendo nesserário ser pensamentos importantes para a discussão - dessa forma, Atenas poderia ser conduzia, por meio das decisões dos homens que ali viviam.

Porém, hoje, vemos que as coisas não mudaram muito. QUando ligamos nossos televisores nos momentos mais decisivos da vida política de muita gente que tem por aqui,no planeta terra, vemos a quantidade de discursos que são literalmente pensados para convencer não só a homens, mas também a mulheres e idosos, cuja a participação democrática é bem maior do que a nossa Atenas antiga.




Alguns tem alguns segundos, outros um pouco mais: mas na propaganda eleitoral gratuíta, engraçada ou não, é a evidência da utilização do discurso para poder conduzir ( ou não) o povo.

Demagogia na Grécia antiga era o exercício da condução do povo - hoje é o exercício do blá-blá-blá, ou seja, o antigo demagogo conduzia o povo, o atual, só fala e fala  fala e...

Mas ainda o disrcurso tem poder - é com ele que se pode convencer o povo a tomar determinadas atitudes perante a urna eletrônica e tocar o Brasil pra frente (ou não). Por mais que tenhamos o significado original do termo demagogia modificado, falar ainda é importante. Precisamos convencer de algum modo, não é mesmo?

Querendo ou não, damos ainda força ao discurso - é ele quem tem o poder perante a massa popular de conduzir. Agora se vai fazer é outros quinhentos.

Trocando em miúdos, se na Atenas democrática, o discurso convencia, hoje ainda não é tão diferente: permanecemos com nossos ouvidos bem abertos e acreditando ou não no que nos é passado. Ainda somos convencidos pela fala do locutor, e como intelocutores, julgamos positiva ou não a fala - e votamos.

Quem dera o problema fosse do Brasil, mas em 1 ano de governo do nosso queido Barack Obama, fomos capazes de perceber que seu discurso convenceu e lhe atribuiu um riquíssimo prêmio Nobel, por trazer esperança ao povo do mundo ( quiçá de outros planetas né?).

Ainda somos tardios ao acreditar que em 1 ano, a paz está instaurada e o prêmio Nobel pode ser atribuído à um discurso bonito à uma prática em período inicial - por trás de tudo, a demagogia contemporânea prevalece - a de falar sem fazer, a de convencer. E isso nos traz a insegurança de que o Prêmio Nobel não é mais escolhido respeitosamente.

Se hoje demagogia é falar demais e não fazer nada, acreditar nos discursos e dar continuidade a políticas estranhas é provar que a demagogia é um discurso que conduz o povo, ou seja, no dicionário mudou e não mudou nada na prática.

Ainda somos uma população que foge da análise das atitudes e procura bonitos discursos. Falar é o suficiente. O discurso, por mais que digamos que não, funciona como a última abertura da caixa de Pandora, que deixa a esperança voar por entre os povos. Pena que na mitologia, a caixa permanece fechada menos as bocas, que com belas palavras, conduzem o povo. E do mundo inteiro, viu?