segunda-feira, 16 de maio de 2011

Paralelepípedos

Quem quer esconder a História? Quem teria coragem de esconder o próprio passado?

Talvez quando observamos a nossa história, poderíamos ver tudo o que fizemos. Ou que não quiséssemos lembrar.

Vejamos parte da antiga porção da cidade de Marília. Nas proximidades do trilho de trem, tanto a Avenida Brasil quanto a avenida Nelson Spielmann são refúgios históricos. Não por seus personagens... pessoas importantes passaram por lá?

A história dessas avenidas não depende das pessoas - dependem de si mesmas. Como elas foram feitas e resistem ao tempo.

No auge da construção e urbanização do centro da cidade, tal porção fora pavimentada com paralelepípedos. Interessantemente, como forma de melhorar a passagem de automóveis, uma camada de asfalto foi passada por cima do antigo pavimento.

Eis a situação: tecnicamente, o asfalto perante o pavimento antigo acaba sendo pouco resistente e com vários impactos e passagens de carros, acaba ficando quebradiço e demonstrando os paralelepípedos, principalmente entre encontro de ruas.

O paralelepípedo demonstra-se mais resistente que o asfalto e demonstra sua simplicidade sem muito esforço. Pois torna a prefeitura a enviar indivíduos para recapear a via asfáltica. Passa o tempo, e retornam os paralelepípedos a darem o sinal de vida, num ciclo semi-eterno de tampa, destampa.

Eis as avenidas, eis nossas vidas.

Quantas vezes não tampamos as situações do nosso passado, que foram fixadas em nossas hitórias por tempos? Será que tampar funciona?

Acostumamos a tampar nossos problemas com mantas asfálticas, como recapeamentos que são temporários. Em breve retornarão.

Ou tiramos os paralelepípelos e refazemos a parte asfáltica, ou passaremos o resto da vida tampando, ano após ano. Ou tiramos a manta asfáltica e deixamos como parte histórica da cidade, os paralelepípedos. Expostos, para todos.


Enfim, a situação está nem lá nem cá - não retiram - só cobrem. Na vida, a história passa pela mesma situação - cobre-se e recobre-se problemas. A história não pode ser apagada.  Recapeamentos funcionam?

Por que não fazer uma nova via? Por que não fazer uma nova vida?

Eis as avenidas, eis as vidas.

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