quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Silêncio necessário

Imagine que você, esteja diante da leitura de um bom livro. E que este livro o satisfaça permanentemente com as imaginações e detalhes. Ou mistérios.

Ah, os livros de mistérios... sempre cativam o leitor por alguma coisa a ser desvendada ou que necessita ser trabalhada principalmente pelo leitor em si. O leitor passa a travar um emaranhando de situações em que o mistério o conduz por tudo quanto é tipo de pensamento. Será que vai dar certo? Será que não dará? Foi ela mesmo? Não foi?

O mestre brasileiro de toda esta situação é o nosso bom e velho Machado de Assis. Um escritor fantástico cujas palavras ecoam nos ouvidos estudantis até os dias de hoje, e sua escrita, característica do século XIX, demonstra a maestria de sua criatividade.
Digo especificamente do livro Dom Casmurro. Sua trama misteriosa, cai em um dos maiores mistérios da literatura brasileira: Capitu é ou não adúltera? Ou: Dom Casmurro é ou não "galhado"?

Tal mistério produz fantásticos projetos educacionais pelos professores de literatura ao longo de nosso Brasil. É comum que ouçamos professores que fazem o julgamento de Capitu, como forma receber as informações dos alunos de que tudo realmente foi interpretado e que, como leitores, alcançaram o tão famoso mistério: vasculharam as provas e o uníssono discurso apresentado pelo sofrido personagem principal. E todos, quando lemos, saímos com o questionamento: chifrou ou não?

Em minha humilde opinião, o mistério não está nisso: assemelho o livro à um amigo que nos conta a informação e, misteriosamente ou por proximidade, acreditamos ser verdadeira. Mas realmente é? Eis a genialidade de Assis.

Agora, imaginem que em uma conferência, ( talvez espírita, quem sabe...) colocássemos Machado de Assis como principal conferencista. E fosse direcionado uma pergunta se Capitu é ou não adúltera. E que, por um acaso, a resposta pudesse aparecer. E ai? Quantos professores iriam gostar dessa situação?

O mistério está no silêncio de Machado. Em soltar a informação e não revelar. Deixar o leitor elaborar por si. Esse é o alvo a ser atingido.

Mas nem sempre isso ocorre. Recordemos do caso de nossa tão amada J. K. Rowling que em 2007 fez uma revelação que surpreendeu muitos leitores. E que quebrou um silêncio tremendo. Dizer que Dumbledore, o diretor da Escola de Hogwarts era gay, foi um tanto quanto desnecessário.

Jamais trataria pelo lado sexual, mas sim pelo lado "leitura". Não estou julgando o caso: gay ou não, mas sim, "isso está no livro (e/ou) vai mudar alguma coisa na obra (e/ou) a escritora esqueceu de escrever?" Todos os escritores escrevem um livro para que os leitores criem suas opiniões pessoalmente. Não está no livro? Então não ocorreu.

A obra deve falar por si. Se o autor precisa explicar o que ocorre no livro, mesmo depois de ser um estouro de vendas, é invadir a privacidade dos pensamentos dos leitores. E dizer que a obra em si é incompleta. E que precisa de algo além de suas letras.

Boas leituras são completas por si só. Não dependem de ninguém falar nada. Não dependem de autores lerem por nós. Dependem de nossas leituras.

O silêncio do autor é necessário: mantém a obra pela obra. Invadir a interpretação dos leitores é um erro brusco. E Machado de Assis, nesse quesito, está muito a frente de milhões de dóllares.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

3 horas

Aos 7 dias do mês de setembro, sendo portanto, a data da Independência brasileira, todos estávamos algo um pouco mais chamativo que a data comemorativa. A chuva.

Há um certo tempo passávamos com os narizes permanentemente secos, perante a ausência de Umidade Relativa do Ar, ocasionando clínicas e pneumologistas com horários esgotados. E farmácias lucrando com a venda de aparelhos umidificadores de ambiente.

Bendita foi a chuva que chegou e tornou nossos narizes úmidos o suficiente. A respiração melhorou significativamente. Porém não a condição do cotidiano. Junto com a chuva, veio um problema na rede elétrica, causando a bendita meia-fase.

Nada mais é do que uma falha de voltagem, causando uma bela queda na energia, fazendo com que a maior parte dos aparelhos eletrônicos não funcionem. Nada que não seja resolvível pela empresa que monitora e faz a deliciosa cobrança de utilização de sua eletricidade. Porém, neste feriado em específico, em meu bairro, a meia-fase apareceu na parte da manhã.

Santa meia-fase. Sem ela é bem melhor do que com ela. Lâmpadas fracas, televisores impotentes, até mesmo o acendedor dos fogões que costumam soltar aquelas fagulhas esmorecem diante da baixa voltagem.Fogões acesos com fósforos, internet sem funcionar, o programa preferido sem poder ser assistido...

Caos. Repentinamente a falta de energia nos produz um pequeno desesperero do que fazer sem ela. Monstros rondam nosso cotidiano perante sua dependência. Como fazer para fazer o trabalho da escola? E o microondas, como esquentar o leite? E a televisão, nossa caixa de vícios, sem funcionar? Como?

A pane é mais terrível dentro das casas, do que na bendita chave geral da cidade que supostamente resolveu cair. Percebemos aos poucos o quanto somos primitivos com as coisas primitivas.

Por que será que um breve momento sem televisores não pode se tornar num diálogo prazeiroso? Por que sem luz, não podemos aproveitar para utilizarmos da luz solar que repentinamente podem entrar com as janelas abertas? Será que devemos viver 24 horas por dia com telefones funcionando? Celulares acabando a bateria, trazem desespero com a falta de comunicação?

Faz com que eu volta na época em que sua bisavó e a minha ( provavelmente) não se preocupavam com nada disso. Telefone? Mais vale uma visita e tomar um café. Energia elétrica? Lampiões espalhados pela casa funcionam como a luz artificial. E geladeira? Como faziam? Conservantes naturais, tal como a carne-de-sol funcionariam muito bem, ou mesmo, por que cozinhar por excesso? Aliás, como será que recebiam as informações? Nossa, naquela época, a leitura talvez fosse uma substituição de tal ação eletrônica, que mastiga as notícias, deglute e vomita em nossas bocas como a única alternativa de buscarmos conhecimento.

Trocando em miúdos, é muito interessante observarmos o como nós escapamos de nossa primitivas ações. O básico, o simples, o necessário passa como uma ação inexistente. Fósforos, conversas, e até mesmo um descnaso mental voltam como uma ação complicada e hilária. Trocando em miúdos, a eletricidade é algo benéfico, mas que tornou o homem dependente. E a internet? Os celulares, quem diria quão grande seria o benefício de não recebermos mais aqueles telefonemas indesejáveis nas horas mais chatas. Ninguém morreria por causa disso. Mas somos burros diante de nossas ações primitivas. É como se colocássemos um viciado em internet diante de uma máquina de escrever, ou mesmo diante de uma folha de papel, pedindo para que o mesmo escrevesse uma carta para compartilhar suas ideias com seus colegas. Ou mesmo como um indivíduo que sempre utilizou fogões à gás, diante de um fogão à lenha. Onde abaixa o fogo? Onde desliga?

Resumindo: abandonamos o simples pelo complexo, e tornamos o antigo simples em complexo. Se um dia precisarmos, o desespero virá pelo lado de dentro de casa. Como nosso próprio desespero na ausência de tantas facilidades proporcionadas pela nossa tecnologia, mas tão idiotas a não saber substituir tranquilamente, tudo àquilo que nossos avós faziam num piscar de olhos.

Foram três horas medíocres e simples, que pude ver o quanto somos rudes com nossas próprias vidas, imaginando como acreditamos sermos evoluídos com a energia, e como somos primatas sem ela.

E acabamos comemorando o retorno da eletricidade, sentando-se diante da televisão.

domingo, 22 de agosto de 2010

Direita: volver!

 Eis que chegamos finalmente à tão esperada época das eleições. Esperamos com todo entusiasmo o movimento pelo qual bandeiras, caras, legendas espalham-se diante de uma necessitada população brasileira.

Não menos barulhenta, ressurgem as fagulhas de um passado recente brasileiro, quando ardiam as vontades militares pelos controles brasileiros. Eis que em nome da segurança nacional, em 1985, a nação teve o seu primeiro presidente civil pós-1964.

Não menos espantável são os resquícios permanentes da sociedade repressora. De um certo jeito, todas as vezes que ouvimos falar do fim da Ditadura Militar, costumamos prestar votos ao fim do militarismo político. Mas não da direita conservadora.

Quando vimos nascer a democracia política dos anos 80 e 90, esquecemos que os partidos que estiveram presentes na ditadura não baixaram suas bandeiras. Aliás, estão os estandartes tremulando perante nossas cabeças, com divisas totalmente modificadas. O que chamava-se MDB, hoje denomina-se PMDB.  E pode ter certeza: ninguém da ARENA resolveu propor suicídio coletivo quando acabou a repressão. Estão espalhados por aí com novos uniformes.

Basta observarmos as ações que considero atualmente como rastros permanentes da direita manipuladora militar. Por que será que um ex-presidente da República como o presidente da Câmara do Senado,  de um ex-partido considerado "do povo" dentro do militarismo bipartidário ( onde só brincavam de pega-pega ARENA e PMDB) baixa um pedido para proibir divulgações a respeito de sua vida no Estadão? Por que será que diante de uma democracia, o silêncio é necessário? Ou a máxima "quem não deve não teme" também poderia ser "... não censura"? Opa! Quando será que falávamos tanto de censura da imprensa, das velhas receitas de bolo ou mesmo de Camões e seus versos no caderno de política?

E a última que está nas mentes conservadoras, que levantam a ideia de que o voto deve ser "útil"? Explicando tal situação, resume-se que o indivíduo deveria votar naquele cuja característica seria basicamente a menos pior entre tantas outras. Mas, o voto não é uma escolha popular? Não é um dos poucos momentos em que somos convidados a dar a nossa opinião, independente de qual seja? Será que esquecemos que por trás da urna eletrônica temos um tapume de papelão que nos protege de olhos xeretas? O  "voto útil" é mais uma deixa dos tão preocupados conservadores que não aceitam a opinião pública.

E por que não citarmos a última do TSE, que por um acaso resolveu proibir humoristas a trazerem sátiras de nossos queridíssimos candidatos em nossas eleições? Como se esse tipo de coisa fosse realmente deturpante diante de nossos tão inteligentes e preocupados com o bem estar de nosso sofrido povo:



Não é por um acaso que nosso querido José Simão, colunista tão engraçado da Folha de São Paulo, dá o Slogan ao Brasil de "País da Piada Pronta". Um indivíduo lança a candidatura pelo Partido Republicano e fala que "Pior do que está não fica". E que não sabe o que é um deputado. E os humoristas, que sabem do que se trata, tem noções políticas, podem tratar tudo isso com inteligência têm a boca selada por atributos de ridicularização.

Deixemos de ser trouxa e passemos a enxergar que a direita controladora ainda vive  pelo Brasil afora como um módulo de controle da voz popular. Vote em quem você tiver consciência real. Leia o jornal que você achar mais passível aos seus pensamos, sem que ninguém que se considere um líder parlamentar proíba de falar de sua própria vida. Ache engraçado a palhaçada que esses políticos fazem com a gente, crie consciência a partir de nossos humoristas, que com o sentimento de gozação, nos mostram que ainda somos imaturos, tanto ao votar, como ao candidatar.

Nossa democracia ainda sente o cheiro dos porões da ditadura. Em porções homeopáticas, mas estardalhantes como laxantes. 

domingo, 15 de agosto de 2010

O que você faz quando?

Todas as vezes que chegamos em casa, depois do trabalho, ou depois de uma bateria de estudos em nossas escolas, sempre temos algo que está em nosso cotidiano. Alguns sentam-se diante do televisor e assiste a programas sobre esportes, outros sentam-se diante da família num requintado almoço, outros nada fazem.

Ótimo! Cada um tem seu hábito e seus próprios costumes, que não precisam ser transmitidos a ninguém. Absolutamente ninguém. A não ser que a pessoa de fato queira pluralizar situaçoes para outras pessoas, mas não sei até que ponto que tudo isso seria de fato interessante. Pode ser que em uma conversa sobre hábitos, surjam determinados comportamentos, porém não conheço ninguém que tenha me abordado do nada e dito coisas sobre seu cotidiano íntimo, como "oi, tudo bem? Acabei de levantar do sofá e fui ao banheiro. Depois voltei para o sofá" - um tanto quanto inútil.

A bem da verdade, estou citando o fato de que o nosso íntimo mais íntimo, aquilo que não contamos a ninguém, é apenas nosso. É aquilo que é reservado ao nosso momento em que não queremos compartilhar nada com os outros, simplesmente nosso. De mais ninguém.

Porém, nos últimos tempos, tenho acompanhado uma invasão de privacidade muito grande por parte da internet. Pessoas invadindo computadores? Não. É o simples e fatídico caso das pessoas ativamente passarem informaçoes sobre suas vidas em sites de relacionamento mundo afora.

É o caso do twitter. Considerado um dos divulgadores instantâneos de maior impacto informativo dos últimos tempos, este tem sido um dos veículos mais utilizados pelos internautas, para expressarem seus sentimentos. Neste caso, estou sendo específico nos assuntos íntimos. Sei que o Twitter não é só isso, também tem uma prestaçao pública interessante, mas, neste caso, o enfoque é no quesito "pessoal".

Tenho twitter e não utilizo como talvez algumas pessoas acreditam ser ideal. Náo tenho tempo suficiente para isso, muito menos paciência. Mas quando falamos de vida íntima, observo o quanto as pessoas tem se preocupado em divulgar o que elas fazem no seu íntimo. E por que não dizer o que as pessoas estão fazendo na hora exata, mesmo não tendo um computador disponível? Basta um ITouch e as informaçoes em tempo real são divulgadas.

Sinceramente, estou cansado de ver pessoas dizerem que vão ao supermercado e voltarão em breve, ou que irão fazer algo que não seria de fato do interesse de ninguém. Simplesmente divulga-se o inútil como espetacular. O que é nosso, só nosso, virou dos outros.

A fofoca tornou-se ativa. Aquilo que os outros descobriam e logo era divulgado sem a permissão do "acusado", agora tornou-se cotidiano. Todas as pessoas fazem questão de justificar o que fazem de suas vidas sem que de fato o outro necessite. Se estão em uma balada, falam que estão afim de alguém próximo, como se isso fosse um problema do mundo

Carência. Resumiria toda essa situação nessa singela palavra. Estamos carentes do contato humano real, e tentamos a cada dia, fazer com que as pessoas enxergassem no virtual, como seria o real. Sempre faz-se algo. O ócio é proibido e demonstra uma morte eletrônica - sem mensagens, não existe.

Dinho Ouro Preto teria expressado em sua letra o que talvez seria esse mundinho sem o twitter - um mundo escondido e íntimo, onde as pessoas não saem divulgando, mas fazem por fazer parte de suas vidas. Sem que os outros tenham a real necessidade de saber. Aliás, o fato delas não saberem tornam os atos extravagantes e emocionantes.

Agora, o extravagante tornou-se cotidiano. O íntimo tornou-se social. Pobres almas que cuidavam de suas almas por si só, e que hoje se sentem obrigadas a ter que fazer os outros verem o que se passa de fato em suas vidas. O que é meu é seu.

Achamos esquisitos BBB's, realities shows, mas vivemos em um. Atualizado em tempo real, sem Pay Per View.O que você faz quando ninguém te vê fazendo, virou passado. E em uma carência generalizada em tempo real.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Inversão de significados

Todas as vezes que vejo algum documentário sobre as antigas civilizações, principalmente sobre as civilizações do norte da áfrica e do Oriente Médio ( egípcios, fenícios, mesopotâmicos), presencio sempre uma tentativa de explicar a relação desses povos com estudos astronômicos.

E de fato realizavam, um tanto quanto inocentemente, sem a preocupação e a tecnologia que temos nos dias atuais. Porém a perspectiva é totalmente diferenciada.

Acreditavam e realizavam estudos sobre a influência dos astros na vida e no cotidiano terrestre. Nas plantações e nas cheias de seus rios. De uma certa maneira, sempre interpretei que os antigos povos veneravam e procuravam respostas da manutenção do espaço terreno pelos astros. Eram estudos complexos mas que não quebravam a harmonia de tudo que ocorria em seu mundo de convívio - olhavam para os astros e contemplavam como divindades guiadoras do destino humano. A visão era inocente, inatingível e superior - apenas existe, nos influencia e devemos venerar.

Meu espanto está nos olhares atuais. Da década de 50 do século XX para frente, o desenvolvimento da tecnologia fora tão rande, que a Lua foi apenas um dos limites. O planeta marte já teve seu conteúdo analizado fisicamente e cogita-se um passeio para lá para ter-se uma perspectiva real do que se passa por lá.

Trocando em miúdos, hoje conseguimos alcançar tais planetas. Não são mais divindades - são territórios consquistáveis e fisicamente analisáveis pelo homem. Não há mais necessidade de venerações ou mesmo de adorações - estudos físicos explicam o por que de sua permanência constante em rotações e atraçoes de massas, Einstein e Sagan calcularam e comprovaram.

Não somos mais inocentes. Nosso planeta é apenas mais um planeta entre tantos. Por que dignificá-lo se podemos ter outros?

Eis o problema: a inocência do homem antigo preservava o ambiente enquanto deuses giravam noite afora. A harmonia do ambiente de vida não era quebrado para conquistar o mundo conhecido. O desconhecido era um auxiliar, inatingível.

Para nós, o desconhecido, o deus, o venerado, tornou-se conhecido, ateu e despresado. Conhecido pois não há limites para chegarmos até os planetas, é mais costumeiro do que imaginamos. Ateu, pois não são mais vistos pelos grandes astrônomos como influentes do nosso ambiente. Existem por uma evolução originária do Big Bang e ponto final. Desprezado, pois a importância não é grandiosa - é físicca, visível e jamais venerável. O homem estudou tanto para  que o mistério fosse deixado de lado.

Nós não temos mais mistérios - criamos suposições comprováveis que podem responder a várias situações do universo. Logo, a necessidade de preservação foi deixada de lado, e passamos a dar mais importância ao atingir o planeta do que preservar nosso mundo.

Alcançamos fisicamente os planetas, enquanto nosso mundo é jogado literalmente no lixo. Temos dinheiro para enviarmos satélites para nossa órbita, mas não abrimos nossos bolsos para aliviar a fome da nossa própria população - vide África, Ásia e sua favela mais próxima.

É por essas e outras que interpreto o sentimento de atingir com o sentimento de desprezar. Chegamos a Lua e não temos mais água no planeta. Por que não procurar outro que tenha?

Felizes eram os antigos povos, cujos deuses astrais eram inatingíveis e o próprio planeta Terra era enigmático, porém harmônico.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O espetáculo do crime

Uma das coisas que vem me incomodando nos últimos tempos é tudo aquilo que a televisão vem dando de destaque e a importância com a qual eles insistem em permanecer com tais divulgações permanentes.

Um dos casos mais comentados nos últimos tempos vem a ser o escândalo de Eliza Samúdio e o envolvimento do Goleiro Bruno (Ou ex-goleiro) do Flamengo. Do momento em que começou a ser anunciado até os dias de hoje, vemos que os canais abertos vivem abrindo discussões acerca do assunto em pauta: Advogados são chamados, delegados dão declarações, pais e familiares prestam depoimentos insistentes para que o assunto bombástico possa render alguns pontos no Ibope, com aquilo que costumeiramente ouvimos ser chamado de "exclusivo!" e "inédito!".

Trata-se de um caso particular, em que um goleiro de um dos mais populares times do Brasil esteja envolvido em um possível assassinato. Logo, tal situação torna-se chamarisco para a curiosidade da população.

Outro caso que vem causando repercussões fantásticas é o caso do atropelamento do filho da atriz Ciça Guimarães, cujo acidente fatal rendeu aos policiais uma tremenda dor de cabeça, por ter gerado corrupção ativa e passiva - esconde-se o carro e libero-te dinheiro.

Tal caso vem sendo divulgado insistentemente na mídia, como uma das situações mais grotescas da segurança pública brasileira - a troca de favores por dinheiro.

O que eu mais me questiono não é o acidente ou mesmo a possibilidade de assassinato, mas sim o simples fato de que se não tivesse passado pelas mãos (ou corpos) de pessoas de popularidade, será que seriam tão divulgados como vemos na nossa fétida mídia? Me questiono pela questão de ver tantas atuações policiais diante da situação-problema: Delegado mineiro dá declarações a imprensa sobre o caso do "goleiro-assassino". Polícia carioca realiza reconstituição do atropelamento de Rafael Mascarenhas, filho de Ciça Guimarães.

Será que se o caso fosse de um indivíduo qualquer, a nossa imprensa cairia matando como vem fazendo? Será que o delegado em questão daria declarações tão efusivas tal qual foram apresentadas? Assassinatos não ocorrem todos os dias (infelizmente)? Sou totalmente contra a qualquer espécie de crime, mas só os mais famosos?

Se fosse qualquer outro indivíduo que tivesse sido atropelado, será que o caso passaria por uma reconstituição, ou mesmo o fato da propina seria tão divulgado? Ora, sempre ouvimos falar de pessoas que guardam dinheiro nos documentos do carro para que o policial possa deixar passar a situação. Será que este caso foi o primeiro de tantos?

Propinas sempre existiram. Assassinatos também. Mas como nossa mídia é extremamente útil, tais casos acabam se transformando em casos muito mais importantes do que qualquer outro. Como se nunca tivesse acontecido.

Enquanto isso, permanecemos embebidos em informações que não nos trazem qualquer novidade, e outros assuntos um tanto quanto mais importantes são abafados. Resumimos todos os problemas em espetáculos repetidos, mas nunca tão importantes quanto os dos famosos. E assim segue o Brasil.

domingo, 13 de junho de 2010

Terapia para Gaia

Nunca imaginei que o petróleo fosse causar no século XXI tantos problemas como vem causando. O que um dia foi símbolo do progresso, hoje, é o marco da degeneração e da preocupação do aquecimento global.

Pobres eram os povos antigos que viam nesse estranho betume, um óleo retirado da pedra. E usavam de maneira até inofensiva, como pavimentação ou até fomo forma de combustível grosseiro para lâmpadas residenciais. Já se foi esse tempo. E como foi.

Hoje a sua destilação fracionada produz uma quantidade significativa de componentes que podem ser explorados e ser utilizados no cotidiano do ser humano. Do combustível de automóveis à parafina e o piche, o petróleo é mais comum na vida de um ser humano do que a gente imagina.

Alguns cientistas acreditam que tal quantidade de hidrocarbonetos tenham uma origem basicamente orgânica, em que componentes orgânicos que estiveram na atmosfera terrestre possivelmente tenham passado por um processo de bilhões de anos, em que a mega pressão das diversas placas que foram a litosfera terrestre, formou tal complexo hidrocarboneto.

Eis o problema: sobre o meu ponto de vista, algo que há bilhões de anos foi passado para uma camada extremamente inferior, e que possivelmente esteve em um momento em que tal quantidade de animais pluricelulares complexos existiam, hoje está sendo devolvido para a atmosfera.

Trocando em miúdos, estamos colocando em nosso ar, algo que há tempos estava afastado e que possivelmente não possiblitaria a vida como ela é nos dias de hoje.

Mas cá estamos nós tocando nosso barquinho, acreditando que estamos muito bem com a quantidade de petróleo que tiramos kilômetros abaixo de nossos mares. Não é de se espantar que para conseguir explorar o pré-sal, a Petrobrás tenha perfurado 7000 metros? E isso será que estava lá para que pudéssemos explorar?

Não, estava lá e pronto. Mas somos xeretas o suficiente para retomar toda essa quantidade de hidrogênio e carbono em nossa superfície para utilizar como combustível. E ficarmos ricos também, por que aqui ninguém é bobo. Nem a Petrobrás.

Então acabamos tendo duas coisas muito interessantes: dinheiro pela prospecção e exploração e combustível para fazer funcionar os geradores mundo afora. Por um outro lado, temos outros recursos em ascendência, porém não tão lucrativos quanto o petróleo.

Hoje podemos comparar a utilização do petróleo em um vício terminantemente profundo, em que um homem, ao tentar parar de beber, insiste, insiste, insiste, mas não resiste àquela bela tragada de uma cachaça. O grande problema, a cirrose, e o caos dentro de casa, não é um problema. O importante é a "tonteirinha".

Tal qual um bêbado em fase terminal, que sabe que não pode beber, que recebeu recomendações médicas para interromper tal consumo e sua insistência é mais forte do que nunca, assim somos todos nós, os arrogantes seres humanos, que acreditam que a utilização do petróleo trará progresso para a humanidade e que enriquecerá nossos governos. E como qualquer conto infantil, todos viveremos felizes para sempre.

O vício está em tirarmos essa quantidade de hidrocarboneto escondido do alcance humano para que a atmosfera pudesse sobreviver, mas insistimos e achamos muito legal a possibilidade de combustível a todos e enriquecimento. O petróleo produz tal "tonteirinha" - ficamos ricos e garantimos a eletricidade e o movimento dos carros mundo afora. Mas mesmo que o planeta esteja ficando doente, por que parar, se estamos muito bem?

Por que parar de beber, quando já estamos expelindo sangue pela boca? Por que parar de utilizar o petróleo, quando animais estão morrendo no Golfo do México, quando um poço de extração não consegue conter uma quilométrica mancha de petróleo ou quando pesquisadores já dão sinal de aumento na temperatura do planeta pelo excesso de Gás Carbônico em nossa atmosfera? Por que nos preocuparmos quando mais para frente a gente vê o que faz com todo esses gases tóxicos na nossa atmosfera?

Agimos como bêbados que estão viciados à bebida, afundados em uma depressão triste de não querer enxergar a realidade persistente. Bebe-se e e afasta-se dos problemas pelo torpor oferecido pelo líquido alcoólico. E no dia seguinte, toma-se mais, assim esquece-se de vez. E o fígado começa a entrar em colapso, ocasionando uma morte trágica.

Agimos como bêbados que estão viciados no lucro produzido pelo petróleo, e no combustível de alta qualidade, e ao vermos biólogos e ecologistas dizendo que algo está errado nessa utilização de petróleo, e nos distanciamos da realidade, pensando no dinheiro ganhado e nas riquezas produzidas. E utilizamos cada vez mais, assim esquece-se de vez. E mais para frente, talvez a cirrose pela qual passaremos, será pulmonar. E estamos deixando para depois, esperando uma possível morte ( ou não pensamos nela?).

Alguns preferem a depressão, outros a lucratividade. Uns insistem em não ouvir os médicos. Outros, os biólogos. E o Planeta Terra continua ser tratado como um gigante meteorito que gira em torno do Sol, que gera lucro. E os antigos gregos tratavam com uma deusa espetacular, Gaia, por poder gerar a vida sozinha e sem o auxílio de outro deus, podendo gerar e manter a vida na Terra. Nossos conceitos contemporâneos estão muito estranhos.